Vamos falar da emancipação das mulheres I
Janeiro 11, 2008 at 12:44 pm | In desigualdade, emancipação, família, feminismo, homem-mulher, injustiça, machismo, mundo, sexismo, sociedade | Leave a CommentTags: cartoon, humor
Os estudos sobre a mulher nos anos 70 ajudaram, de facto, a divulgar o conhecimento sobre o papel das mulheres ao longo da historia.
Mary Wollstonecraft (1759-1797) escreveu este livro em 1792, inspirada em Direitos do Homem de Thomas Paine. A sua maior preocupação era que as raparigas devessem receber instrução. A sua vida pessoal era difícil e ela lutava constantemente para se sustentar, escrevendo ou ensinando. Morreu logo a seguir ao nascimento da sua segunda filha.
“Quantas mulheres desperdiçaram a sua vida entregando-se a um destino de infelicidade, quando poderiam ter sido médicas, gerindo uma quinta ou uma loja e avançando de cabeça erguida, apoiadas na sua própria inteligência…”
Sojourner Truth (1797-1883) fugiu da escravidão, em 1827, e foi para Nova Iorque trabalhar como criada. Mais tarde, quando os seus filhos cresceram, decidiu viajar e participar em campanhas contra a escravatura. Teve acesso ao Movimento dos Direitos das Mulheres através dos Abolicionistas (movimento anti-escravatura). É celebre o seu discurso, quando respondeu a um homem que descrevia as mulheres como fracas e «demasiado frágeis para a vida pública».
“Trabalhei tanto como um homem e suportei igualmente o chicote – E não sou mulher?”
Sarah Mapp Douglass (1806-1882) e Lucretia Mott (1793-1850) foram professoras, uma branca, a outra negra. Fundaram a Sociedade Feminina Antiescravatura, em 1833. Foram militantes activas, apesar das suas reuniões serem frequentemente atacadas por multidões de racistas. A escravatura foi finalmente abolida nos Estados Unidos da América em 1865.
Susan B. Anthony (1820-1906) e Elizabeth Cady Stan (1815-1902). Elizabeth, filha de um juiz, ajudou a organizar a primeira convenção de Direitos das Mulheres, em Seneca Falls, estado de Nova Iorque, em 1848. Esse foi um ano de grandes perturbações políticas e a introdução de novas ideias ia ganhando terreno. Conheceu Susan B. Anthony, que viajava muito para participar em conferências, enquanto Elizabeth, que tinha oito filhos, ficava em casa a maior parte do tempo a escrever sobre os direitos da mulher. Fizeram campanha sobre a violência como base para o divórcio, sobre o direito ao voto e sobre as condições de trabalho das mulheres.

Todas estas mulheres lutaram pela igualdade, mas algumas delas tinham cinco ou mais filhos para criar, pouca ou nenhuma instrução e, a menos que pudessem pargar a criadas, uma enorme quantidade de trabalho do méstico para fazer.
A escritora negra americana, Alice Walker, recorda a sua mãe, dizendo:
«Aos 20 anos tinha dois filhos e estava grávida do terceiro. Depois de ter tido cinco filhos, nasci eu… O seu temperamento abrupto e violento só se revelava algumas vezes por ano, quando entrava em conflito com o senhorio branco que tinha a infelicidade de sugerir que os filhos dela não precisavam de ir à escola.
Confeccionava as roupas que usava e as toalhas e lençóis que usávamos. Passava os Verões a fazer conservas de vegetais e fruta. Passava os serões de Inverno a fazer mantas de trapos para as nossas camas.
Durante o dia trabalhava ao lado – não atrás – do meu pai no campo, desde antes do nascer do Sol, e só acabava pela noite dentro. Nunca tinha um momento para se sentar, calmamente, para soltar os seus pensamentos profundos, nunca tinha tempo livre do trabalho ou das perguntas barulhentas dos seus muitos filhos…»

Mas é preciso, obviamente, mais do que electrodomésticos, que reduzem o trabalho, para dar à mulher plena liberdade e igualdade social e psicológica.

Sophie Grillet
Não sou feminista, mas…
Lisboa, Presença, 2001
(excerto)
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